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Pacote fechado ou mínimo de noites? Como definir a estratégia para o Réveillon

O Réveillon é um dos períodos mais importantes para a receita de hotéis e pousadas. A elevada procura permite trabalhar tarifas mais rentáveis, aumentar a permanência média e melhorar a ocupação dos dias próximos à virada do ano.

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Daniel Mont'Serrat - Revenue Management
Pacote fechado ou mínimo de noites? Como definir a estratégia para o Réveillon

O Réveillon é um dos períodos mais importantes para a receita de hotéis e pousadas. A elevada procura permite trabalhar tarifas mais rentáveis, aumentar a permanência média e melhorar a ocupação dos dias próximos à virada do ano.

Mas a alta demanda, por si só, não garante o melhor resultado.

Uma decisão comum nesse momento é criar pacotes fechados, com datas fixas para entrada e saída. Embora essa estratégia funcione em determinados cenários, ela também pode limitar as possibilidades de venda e deixar apartamentos disponíveis nas bordas do período.

Por isso, antes de repetir uma prática consolidada no mercado, é necessário analisar o contexto específico da propriedade.

Revenue Management não é seguir uma fórmula pronta. É interpretar a demanda e definir a melhor estratégia para cada hotel, destino e período.

Qual é a diferença entre pacote fechado e mínimo de noites?

No pacote fechado, a hospedagem define previamente as datas de entrada e saída. Um pacote de cinco noites, por exemplo, pode ser comercializado exclusivamente de 28 de dezembro a 2 de janeiro.

O hóspede interessado em chegar no dia 27 ou sair no dia 3 pode não encontrar disponibilidade para a combinação desejada, mesmo que existam apartamentos livres em parte desse intervalo.

Já na estratégia de permanência mínima, o hotel estabelece a quantidade mínima de noites que deve ser reservada, mas oferece maior flexibilidade para as datas de entrada e saída.

A propriedade pode determinar, por exemplo, o mínimo de cinco noites para reservas realizadas entre 26 de dezembro e 4 de janeiro. Dessa maneira, diferentes combinações de estadia podem ser aceitas, desde que respeitem a restrição definida.

Essa diferença influencia diretamente o aproveitamento do inventário.

Quando o pacote fechado pode limitar as vendas?

Ao fixar uma única combinação de datas, o hotel passa a depender de hóspedes dispostos a comprar exatamente aquele período.

Essa configuração pode dificultar a entrada de reservas com comportamentos diferentes, como:

O risco é vender o pico de procura, mas não aproveitar adequadamente os dias anteriores e posteriores.
Esses dias são conhecidos como “bordas” do período. Quando bem administrados, eles ajudam a aumentar a permanência média, melhorar a ocupação e ampliar a receita total gerada pela alta temporada.

Por que trabalhar com mínimo de noites?

A permanência mínima pode preservar a rentabilidade do período crítico sem limitar a venda a uma única combinação de datas.

Imagine que uma hospedagem estabeleça a mesma faixa tarifária entre 26 de dezembro e 4 de janeiro, com permanência mínima de cinco noites. O hóspede poderá escolher diferentes datas dentro desse intervalo, conforme a disponibilidade e as regras configuradas.

Essa flexibilidade pode permitir que o empreendimento:

A estratégia também amplia a capacidade de reação do Revenue Manager. Se alguns dias estiverem vendendo mais rapidamente, tarifas e restrições podem ser ajustadas para direcionar a demanda às datas com menor ocupação.

Isso significa que os pacotes devem ser abandonados?

Não. Pacotes fechados podem ser eficientes quando estão alinhados ao comportamento da demanda e à proposta da hospedagem.

Eles podem fazer sentido quando:

O problema não está no pacote em si. Está em adotá-lo automaticamente, sem analisar se essa configuração maximiza o resultado da propriedade.

Da mesma maneira, aplicar permanência mínima sem observar o mercado também pode gerar dificuldades. Uma restrição muito alta, definida cedo demais ou incompatível com o comportamento do público pode reduzir a conversão e direcionar potenciais hóspedes para concorrentes.

O que analisar antes de escolher a estratégia?

A decisão deve começar pelos dados da própria hospedagem. Entre os principais indicadores estão:

Histórico de reservas

Como os hóspedes reservaram o último Réveillon? Quais foram as datas mais procuradas? Quantas noites permaneceram? Houve dificuldade para vender algum dia específico?

Antecedência das compras

Saber com quanto tempo as reservas são realizadas ajuda a definir quando abrir as vendas, aplicar restrições ou revisar tarifas.

Ocupação por dia

A análise não deve observar apenas a ocupação total do período. É importante identificar o desempenho de cada noite e localizar possíveis lacunas no inventário.

Permanência média

O comportamento real dos hóspedes ajuda a verificar se um mínimo de quatro, cinco ou mais noites é compatível com a demanda.

Ritmo de reservas

O acompanhamento da velocidade das vendas mostra se a procura está acima ou abaixo do esperado e permite realizar ajustes antes que seja tarde.

Desempenho por canal

Motor de reservas, OTAs, operadoras e atendimento direto podem apresentar comportamentos diferentes. A estratégia precisa considerar os custos, a conversão e a rentabilidade de cada canal.

Perfil da propriedade e do destino

Uma pousada de lazer, um resort, uma casa exclusiva e um hotel urbano não necessariamente devem trabalhar o Réveillon da mesma forma. Estrutura, localização, público e experiência oferecida interferem diretamente na decisão.

A estratégia deve evoluir com a demanda

Definir tarifas e restrições não é uma tarefa realizada apenas uma vez.

Após a abertura das vendas, é necessário acompanhar a evolução da ocupação, o ritmo das reservas, a disponibilidade por categoria, os preços da concorrência e as mudanças no comportamento do mercado.

Se a procura estiver acima do esperado, pode ser o momento de elevar tarifas ou ajustar as condições de permanência. Se estiver abaixo, será necessário avaliar as restrições, a distribuição, o posicionamento do produto e as ações de divulgação.

Revenue Management moderno combina planejamento com capacidade de adaptação.

Não existe uma regra universal

Experiências adquiridas em grandes redes, hotéis independentes ou outros destinos são valiosas, mas não devem ser reproduzidas sem uma leitura crítica.

Cada propriedade possui uma estrutura diferente. Cada destino apresenta um comportamento próprio. E cada período exige decisões compatíveis com a demanda existente naquele momento.

O melhor resultado não vem da escolha automática entre pacote fechado e mínimo de noites. Ele nasce da análise dos dados, do acompanhamento contínuo e da integração entre Revenue Management, distribuição, operação, marketing e reservas.

Na Yah Consultoria Hoteleira, avaliamos o contexto de cada empreendimento para construir estratégias tarifárias e comerciais alinhadas ao mercado, ao posicionamento e aos objetivos da propriedade.

Sua hospedagem já definiu como vai vender o próximo Réveillon? Fale com a Yah e prepare sua estratégia de alta temporada com antecedência.